Por Eduardo Person Pardini, CICP (artigo escrito com ajuda da inteligência humana)
O mês de maio, globalmente reconhecido como o Mês de Conscientização da Auditoria Interna, está chegando ao fim. No entanto, sejamos honestos: o trabalho de conscientização sobre o valor da nossa profissão nas organizações não pode ter prazo de validade. Para que a Auditoria Interna seja verdadeiramente vista como um motor estratégico, essa conscientização precisa ser um esforço contínuo e diário. Essa jornada de transformação exige uma mudança profunda que começa de dentro para fora, refletindo diretamente no mindset e nas competências dos próprios auditores.
Por muito tempo, o auditor interno carregou o estigma de "polícia ou fiscal corporativo", aquela figura temida que chega com uma prancheta apenas para apontar erros passados, buscar culpados e burocratizar processos.
Se queremos mudar a percepção dos nossos stakeholders, o primeiro passo é transformar o nosso próprio posicionamento. O auditor moderno precisa deixar esse distintivo na gaveta e assumir a postura de um conselheiro estratégico e confiável (Trusted Advisor).
Isso significa atuar com empatia, colaboração, mantendo sua independência, e foco no futuro, apoiando a liderança a construir o "como fazer de forma segura", em vez de simplesmente dizer "não".
Essa mudança de postura, contudo, não acontece por decreto; ela exige um altíssimo nível de competência e proficiência.
O novo perfil do auditor vai muito além do checklist de conformidade. Ele tem como alicerce inegociável o domínio e a aplicação rigorosa das Normas Globais de Auditoria Interna, que garantem a qualidade, a ética e a credibilidade técnica do nosso trabalho.
Mas as normas são a base, não o limite. Para auditar com propriedade e gerar valor real, é imprescindível uma verdadeira imersão na dinâmica dos negócios. Precisamos entender profundamente como a empresa ganha dinheiro, quais são as suas dores de mercado e como a engrenagem operacional funciona na prática.
Um profissional com visão estratégica passa menos tempo olhando apenas pelo retrovisor e mais tempo olhando pelo para-brisa, conectando os riscos operacionais aos objetivos maiores da organização para antecipar tendências e blindar o futuro da empresa.
Nesse contexto de um mercado cada vez mais disruptivo, engana-se quem pensa que inovação e auditoria são forças opostas. Pelo contrário: o auditor interno precisa assumir o protagonismo da inovação na corporação.
Da porta para dentro, isso significa abraçar novas tecnologias — como análise de dados avançada, inteligência artificial e agentes virtuais, para tornar o nosso próprio trabalho mais ágil, preditivo e efetivo.
Da porta para fora, significa atuar como um grande facilitador da inovação segura. A auditoria não deve ser o freio de mão dos novos projetos, mas sim o cinto de segurança que permite à organização acelerar, criar e ousar com confiança.
Quando o auditor eleva seu nível de proficiência e se posiciona como um agente de transformação, a percepção de toda a empresa muda de forma natural.
A conscientização deixa de ser uma campanha de marketing no calendário e passa a ser entregue em cada interação diária, seja praticando a escuta ativa em um walkthrough ou avaliando soluções viáveis junto com a gestão.
O valor máximo da nossa profissão se consolida quando os líderes de negócio nos procuram proativamente antes de lançar um novo produto ou entrar em um novo mercado. Maio está acabando, mas a nossa missão contínua de provar, projeto após projeto, que deixamos de ser "um mal necessário" para nos tornarmos parceiros estratégicos indispensáveis, segue mais forte do que nunca.
Seja Feliz!
Em 28 de maio de 2026